Resultados refletem desafios na produção e vendas

A BrasilAgro anunciou um prejuízo líquido de R$ 13,9 milhões no quarto trimestre fiscal de 2026, que abrange abril a junho, conforme divulgado em seu relatório de resultados. Este número representa uma queda significativa em relação ao lucro de R$ 61,3 milhões obtido no mesmo período do ano passado.
De acordo com Gustavo Lopez, diretor financeiro da empresa, o desempenho foi afetado principalmente pela redução na colheita de cana-de-açúcar, que ficou em 273,7 mil toneladas, quase a metade das 585,4 mil toneladas do ano anterior. Esta redução na produção foi uma estratégia da empresa para ajustar a oferta em resposta aos preços em baixa do açúcar e do etanol.
✨ A receita líquida da BrasilAgro caiu 20% na comparação anual, totalizando R$ 289,5 milhões.
A companhia também refletiu em seus números a falta de vendas de fazendas durante o trimestre, o que é atribuído ao aumento na cautela de potenciais compradores em face do endividamento no setor agrícola. No mesmo período do ano passado, as vendas de propriedades geraram uma receita significativa de R$ 111,99 milhões.
""Temos como modelo de negócio fazer esse ganho imobiliário e não conseguimos realizá-lo"
Encerrando o ano fiscal de 2026, que coincide com a safra de 2025/26, a BrasilAgro reportou um prejuízo líquido acumulado de R$ 90 milhões, comparado a um lucro de R$ 138 milhões no ano anterior. A receita líquida totalizou R$ 895,7 milhões, com uma queda de 20%.
Para a nova safra de 2026/27, a BrasilAgro se antecipou na compra de insumos, aproveitando preços mais baixos e planeja aumentar o uso de sementes próprias para mitigar os custos. A empresa prevê uma redução de 1% na área plantada, totalizando 165,208 mil hectares, mas espera um aumento de 9% na produção total.
Os produtos de algodão e cana não devem registrar crescimento na produção, mas a empresa está confiante de que as vendas de terras voltarão a acontecer nos próximos trimestres, almejando um bom resultado para 2027. Guillaumon, CEO da BrasilAgro, acredita que há "bolsões de liquidez" em estados como Bahia e Maranhão, além do Paraguai, e mostra otimismo com a alta nos preços.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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