Entidades criticam portaria da Anvisa que classifica ingredientes como perigosos

Entidades representantes de produtores rurais e da indústria de defensivos expressaram suas preocupações em relação à minuta de uma portaria que institui a lista de Agrotóxicos Altamente Perigosos (AAPs), alegando que esta medida contraria o modelo de análise de risco estabelecido pela nova legislação sobre agrotóxicos.
Em suas críticas, essas entidades argumentam que a nova normativa extrapola as competências previstas na legislação, ao criar uma classificação nacional para ingredientes ativos sem a participação do Ministério da Agricultura.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), por sua vez, refutou as alegações, esclarecendo que a proposta não tem como objetivo reverter a análise de risco em favor de uma abordagem meramente baseada em perigo. Segundo a Anvisa, a identificação de características perigosas é um elemento que pode apoiar a gestão de riscos.
✨ A Anvisa afirmou que a avaliação não implica em registro, proibição ou restrições automáticas de uso baseadas apenas no perigo do produto.
Outro ponto questionado pelo setor agrícola é a inclusão de produtos considerados pouco tóxicos na lista de AAPs. Um levantamento da Associação Nacional das Empresas de Produtos Fitossanitários (Aenda) mostrou que 88% dos ingredientes mencionados pela Anvisa são classificados como “improvável de causar dano agudo” ou somente “pouco tóxicos”.
A Anvisa respondendo às críticas, justificou que a comparação entre produtos formulados e a lista de AAPs é inadequada, pois a classificação toxicológica refere-se a produtos prontos para uso, enquanto a lista busca identificar ingredientes ativos com características perigosas relevantes.
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou que a lista atualmente em elaboração é de caráter orientativo e não impõe restrições automáticas sobre os produtos que contenham os ingredientes ativos mencionados.
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