Itaú BBA estima necessidade de 218 mil hectares adicionais até 2030, com investimentos entre R$ 7,6 bilhões e R$ 14,3 bilhões.

A expansão da produção de etanol de milho no Brasil está projetada para demandar uma área significativa destinada ao cultivo de eucalipto em Mato Grosso, o principal polo do setor. De acordo com análise do Itaú BBA, até 2030, será necessário adicionar até 218 mil hectares de florestas energéticas para atender à demanda crescente por biomassa nas usinas.
Os investimentos estimados para essa ampliação variam entre R$ 7,6 bilhões e R$ 14,3 bilhões, dependendo da eficiência operacional das plantas industriais. A capacidade instalada de etanol de milho no Brasil deve aumentar de 10,9 bilhões de litros em 2025 para 25,3 bilhões de litros em 2030. Em Mato Grosso, espera-se que essa capacidade passe de 6,9 bilhões para 11,9 bilhões de litros no mesmo período.
✨ O estudo aponta que uma produção de 13 bilhões de litros de etanol de milho no país demandaria cerca de 35 milhões de metros cúbicos de biomassa de eucalipto, necessitando de um estoque florestal de 440 mil hectares para garantir o abastecimento contínuo.
O crescimento da demanda por eucalipto vem em um contexto de mudanças na matriz energética das usinas, que atualmente utilizam diversas fontes de biomassa, incluindo a oriunda de supressão vegetal. Desde junho de 2026, novas regulamentações em Mato Grosso determinaram que o uso de biomassa proveniente de vegetação nativa deve ser reduzido gradualmente, privilegiando florestas plantadas e alternativas renováveis.
Cesar de Castro Alves, gerente da Consultoria Agro do Itaú BBA, destaca que a viabilidade econômica e ambiental dos projetos de etanol de milho está cada vez mais atrelada à disponibilidad de biomassa. Com essa expansão, há expectativas de que produtores rurais ampliem suas fontes de receita por meio do cultivo de eucalipto, que pode oferecer retornos atrativos.
Com taxas internas de retorno projetadas em cerca de 17% ao ano e receitas acumuladas marcantes, o cultivo de eucalipto poderá ser uma alternativa viável para áreas menos propensas a culturas anuais. Mato Grosso apresenta condições favoráveis para essa prática, unindo terra disponível, clima adequado e proximidade de consumidores.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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