A mudança poderá elevar os custos de produção e agravar a escassez de mão de obra nas propriedades rurais.

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) expressou sua preocupação com a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas, com o fim da escala 6x1. A entidade alertou que essa mudança pode elevar os custos de produção e agravar a escassez de trabalhadores no campo.
Com a proposta, a adoção da escala 5x2 implicaria em dois dias de descanso semanal, o que a Faesp acredita que comprometerá a competitividade das propriedades rurais, especialmente entre pequenos e médios produtores, que já enfrentam margens apertadas e dificuldades para repassar aumentos de custos aos preços de venda.
✨ “O campo não pode parar. Os animais precisam de cuidados todos os dias e uma lavoura não pode esperar quando chega o momento certo da colheita”, afirmou o presidente da Faesp, Tirso Meirelles.
A Faesp também indicou que as atividades que demandam grande número de trabalhadores, como cafeicultura, fruticultura, horticultura e pecuária leiteira, serão as mais impactadas. O economista José Pastore estima que a redução da jornada possa causar uma queda de 6,2% no Produto Interno Bruto (PIB) e aumentar em cerca de 22% o custo por hora trabalhada.
Adicionalmente, a Faesp destacou que os produtores já lidam com juros altos, dificuldade de acesso ao crédito e riscos climáticos, fatores que dificultam a adaptação às novas regras. A entidade, embora reconhecendo a importância de valorizar o trabalhador, ressalta que as mudanças na legislação devem ser acompanhadas de estudos econômicos e maior flexibilidade nas negociações coletivas.
“Não somos contrários à valorização do trabalhador, mas é preciso equilíbrio”, concluiu Meirelles, enfatizando que a implementação das novas jornadas deve considerar as particularidades de cada setor.
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