Violência contra mulheres e a influência das comunidades online na cultura contemporânea

No contexto atual das interações entre tecnologia e sociedade, um padrão alarmante surge: ecossistemas extremistas, que se desenvolvem em ambientes isolados, frequentemente chegam a um ápice, emergindo com intensidade na esfera pública. Essa dinâmica foi observada na ascensão do bolsonarismo em 2018, na proliferação de desinformação sobre saúde durante a pandemia de Covid-19, e mais recentemente, o escândalo da pedofilia vinculado ao viral da ‘adultização’.
Atualmente, um novo fenômeno está em ascensão: o aumento das violências offline contra mulheres, exacerbado por ideologias misóginas que proliferam em comunidades digitais. Termos como incels, PUAs, MGTOWs, MRAs, red pill e black pill tornaram-se parte do vocabulário cotidiano, trazendo à tona uma subcultura que não apenas atualiza a retórica machista, como roda um novo sistema de crenças.
"Essas comunidades criam uma gramática de pensamento que se fundamenta em noções de moralidade perversa e verdades absolutas sobre a hierarquia de gênero
✨ O conservadorismo cristão é um dos pilares que sustentam essa ideologia, mas a machosfera vai além, mesclando psicologia evolutiva e concepções financeiras.
A machosfera categoriza indivíduos com base em seu 'valor sexual de mercado', refletindo uma visão de relacionamentos afetivos como transações mercadológicas.
Neste cenário, Pickup Artists (PUAs) tornaram-se figuras proeminentes, oferecendo cursos e conselhos em uma indústria que visa ajudar homens a conquistar mulheres, reforçando a ideia de que mulheres são prêmios a serem conquistados.
Um exemplo marcante da influência dessa base de misoginia pode ser visto no trágico caso de Gisele Santana. As mensagens entre ela e seu marido eram densas em referência a essa ideologia; ele se apresentava como um 'macho alfa provedor', enquanto ela era descrita como uma 'fêmea beta' obediência.
"Geraldo demonstrou um controle aberrante sobre a vida de Gisele, enfatizando que, enquanto ela fosse dependente dele, não teria liberdade.
Esse controle passava não só pela imposição de comportamentos e aparências, mas também por uma relação que mesclava conservadorismo e valores financeiros, onde o amor e afeto eram trocados por dinheiro.
Assim, a promessa de mudança que a ideologia redpill apresenta, onde homens se tornam senhores e não mais escravos, se manifesta em uma autoexaltação por parte de pessoas como Geraldo, revelando uma interconexão com outras vertentes como o conservadorismo e a extrema direita.
Diante desse panorama, fica evidente que a misoginia deixou de ser um nicho fechado e se moldou como uma base comum para uma forma de extremismo que se torna cada vez mais visível na sociedade contemporânea.
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Jornalista especializado em Cultura & Entretenimento

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