Expectativa é que governo edite decreto sobre categorias com jornadas diferenciadas

A Frente Parlamentar Agropecuária (FPA) defende que o Congresso Nacional regulamente a nova escala de trabalho no Brasil. Há expectativa, em Brasília, de que o governo edite um decreto com normas para categorias que possuem jornadas diferenciadas.
"Acreditamos que a prerrogativa de regulamentação da jornada de trabalho é do Congresso Nacional. Durante todo o debate, trabalhamos para que os acordos coletivos fossem respeitados", afirmou o presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR).
De acordo com o jornal O Globo, uma ala do Senado está preparando uma nova Proposta de Emenda Constitucional (PEC) voltada à regulamentação da jornada de trabalho. O texto será apresentado na próxima semana e abrangerá categorias como caminhoneiros, profissionais de saúde e operadores de plataformas de petróleo.
✨ A PEC aprovada pelo Congresso e sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva estabelece uma escala com pelo menos dois dias de folga por semana, sem redução de salários, com vigência a partir de 15 de dezembro.
O comércio, que enfrenta alta demanda por trabalhadores temporários no fim do ano, considera o prazo de adaptação curto e defende o início da nova jornada somente após o Natal.
A Frente Parlamentar Agropecuária discutirá essa questão em sua reunião semanal na próxima terça-feira (3/11). A aprovação do fim da escala 6x1 gerou insatisfação entre entidades do agronegócio e alguns segmentos do setor produtivo.
A Federação de Agricultura do Estado do Paraná (Faep) indicou a possibilidade de medidas judiciais, estimando que a redução da jornada acarretará um custo de R$ 4,1 bilhões ao agronegócio do Estado, resultando na necessidade de 107 mil novas contratações.
A Faep enviou um ofício à Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) solicitando a avaliação da viabilidade de ingressar com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) contra a PEC da nova jornada, questionando a exclusão do controle de jornada e a redução de jornada para servidores públicos.
Representantes da indústria de carnes também comentaram sobre o impacto da nova escala, projetando aumento de custos que deverão ser repassados aos preços. Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), destacou que a nova escala reduzirá a carga horária nas indústrias em pelo menos 5%.
"Não haverá falta de produto, mas haverá aumento de custo e de preço. A ordem é não reduzir salários, mas o custo fixo aumentará em 5% em relação à contribuição da mão de obra no custo final", afirmou Santin, durante o Salão Internacional da Alimentação (Sial) em Paris.
A ABPA informou que Santin já levou as preocupações da indústria de aves e suínos ao Ministério da Agricultura, porém, não foram divulgados detalhes das discussões.
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