Dados do DataSenado revelam que 38% das mulheres com deficiência sofreram violência, maior que entre as sem deficiência.

Em 21 de agosto, Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, o DataSenado divulgou dados alarmantes sobre a violência contra mulheres com deficiência no Brasil. A pesquisa revela que 38% deste grupo sofreu algum tipo de violência, um índice que supera os 28% registrados entre aquelas sem deficiência.
Entre as mulheres com deficiência que vivenciaram violência nos últimos 12 meses, 69% afirmam que a situação já se arrastava por mais de um ano, uma diferença significativa em relação à taxa de 54% entre a população feminina em geral. Os dados foram coletados a partir de entrevistas com mais de 21 mil mulheres no país.
✨ Os agressores foram, em 65% dos casos, maridos ou companheiros das vítimas, demonstrando a prevalência da violência no ambiente doméstico.
Os tipos de violência mais comuns relatados foram a sexual (39%) e a patrimonial (46%), destacando-se em comparação às mesmas categorias entre mulheres sem deficiência, que apresentaram taxas de 28% e 39%, respectivamente. O acesso restrito à informação e a vulnerabilidade econômica foram citados como fatores que aumentam esses índices.
Maria Slemenson, superintendente do Instituto Natura Brasil, explica que a percepção da violência pode ser obscurecida por práticas de controle que são confundidas com cuidado. Além disso, um alto percentual de mulheres com deficiência (78%) não realiza trabalho remunerado, e a maioria vive com renda familiar de até dois salários mínimos.
A falta de conhecimento sobre direitos e mecanismos de proteção também é crítica, com 18% das mulheres com deficiência afirmando não conhecer a Lei Maria da Penha, o dobro do porcentual entre as mulheres sem deficiência. Isso se reflete em um baixo número de denúncias, com 83% das vítimas não reportando os abusos às autoridades.
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Jornalista especializado em Brasil

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