Especialista destaca a importância de outros padrões climáticos para compreender variações nas chuvas e temperaturas.

O fenômeno El Niño é reconhecido por sua significativa influência sobre chuvas, temperaturas e eventos climáticos extremos. No entanto, ele não está sozinho nesse papel, com diversos outros padrões de interação entre os oceanos e a atmosfera também contribuindo para a variabilidade climática.
Gilberto Cunha, engenheiro agrônomo, aponta que, além do El Niño-Oscilação Sul (ENSO), há outros fenômenos de grande escala que impactam as condições climáticas ao redor do planeta, como a Oscilação do Atlântico Norte (NAO), o Modo Anular Sul (SAM), o Dipolo do Oceano Índico (IOD) e a Oscilação Decadal do Pacífico (PDO).
Embora esses fenômenos atuem em escalas diferentes, eles podem estar interligados e afetar regiões distantes de sua origem, um fenômeno conhecido como teleconexões atmosféricas. Essas interações podem influenciar padrões de temperatura, precipitação e a ocorrência de eventos climáticos extremos.
✨ Cunha explica que as teleconexões estão associadas a ondas de Rossby, que são influenciadas por anomalias na temperatura da superfície dos oceanos e por fluxos de calor resultantes de processos convectivos.
O Dipolo do Oceano Índico, que mede a diferença de temperatura entre as partes oeste e leste do oceano, é um exemplo de como a interação de diferentes fenômenos pode se manifestar. Quando o IOD está em fase positiva enquanto ocorre um El Niño, pode-se formar um padrão de circulação atmosférica conhecido como Super El Niño.
Outro fenômeno relevante é o Modo Anular Sul (SAM), que representa as diferenças de pressão entre a região Antártica e as latitudes médias. Na fase positiva do SAM, há predominância de baixa pressão na Antártica e alta pressão nas latitudes médias, o que pode afetar o regime de chuvas no Sul do Brasil, especialmente na primavera.
Com as mudanças climáticas, as interações entre esses fenômenos tornam-se ainda mais importantes. Gilberto Cunha destaca que há indícios de que as teleconexões atmosféricas estejam passando por alterações em relação à intensidade de impactos e na área geográfica afetada, tornando-se mais difícil prever comportamentos climáticos tradicionais.
A crescente concentração de gases de efeito estufa altera as condições atmosféricas, o que pode afetar o comportamento de padrões climáticos conhecidos. Portanto, entender não apenas o El Niño, mas também a atuação conjunta de diferentes oceanos e mecanismos atmosféricos, é essencial para interpretar anomalias de chuvas, temperaturas e eventos extremos.
Receba as principais notícias e análises diretamente no seu email. Grátis e sem spam.
Gostou desta notícia? Compartilhe!
Jornalista especializado em Ciência

Estudo revela como mudanças climáticas moldaram navegação antiga

Iniciativa do Instituto de Pesca visa conservar biodiversidade e garantir segurança na produção

Pesquisa analisa adaptações genéticas de orquídea-da-praia.

Atualização do ECMWF indica pico de aquecimento em 3,4°C e mudanças no período de pico.