Marc Fogassa, da Atlas Lithium, alerta sobre nacionalismo de recursos

Em um artigo publicado à CNN Infra, Marc Fogassa, CEO da Atlas Lithium e da Atlas Critical Minerals, alerta que o risco político tem se tornado um fator determinante para investimentos em minerais críticos, com o Brasil destacando-se como uma jurisdição tradicionalmente estável.
Com a crescente onda de nacionalismo em relação aos recursos, a dinâmica do mercado está mudando. Minerais como lítio, níquel e cobalto, essenciais para baterias e tecnologias de transição energética, agora têm seu valor não apenas na qualidade do minérios, mas também na segurança regulatória do país onde estão localizados.
Eventos recentes, como encontros em Washington e Belo Horizonte, mostraram que investidores, empresas e autoridades reconhecem a importância da qualidade das instituições no setor de mineração. A discussão evoluiu além dos aspectos técnicos, agora abrangendo questões institucionais.
✨ Episódios de mudanças regulatórias, como a suspensão de exportações de lítio no Zimbábue e novas regras na Indonésia, evidenciam a vulnerabilidade dos investidores.
Esses exemplos demonstram que a política afeta diretamente a atratividade dos projetos. Um projeto pode ser economicamente viável, mas a falta de previsibilidade regulatória pode desvalorizar seu potencial de retorno.
Empresas que atuam em setores de lítio e outros minerais estratégicos precisam repensar suas estratégias, priorizando países que garantam soberania sobre seus recursos junto a um ambiente regulatório e de mercado estável.
O Brasil destaca-se neste cenário por não ter enfrentado nacionalizações forçadas ou proibições amplas de exportação. Seu código de mineração é claro e a atuação de agências reguladoras promove previsibilidade.
✨ Além disso, o Brasil possui uma matriz elétrica predominantemente renovável, cada vez mais valorizada por mercados globais.
Esse panorama posiciona o Brasil como um potencial fornecedor seguro de minerais essenciais, com instituições que, embora possam melhorar, oferecem maior segurança jurídica em comparação a outras jurisdições.
O futuro dos minerais críticos dependerá da capacidade do Brasil de manter e fortalecer essa combinação de recursos naturais e segurança institucional. A soberania, refletida em prioridades de uso do território e proteção do interesse público, é fundamental.
No lado empresarial, a adoção de altos padrões de governança e responsabilidade socioambiental se tornou crucial, moldando as expectativas do mercado e a aceitação de parcerias.
A interação entre soberania e mercado aberto não é antagônica, e a harmonização desses conceitos pode transformar a riqueza mineral do Brasil em um ponto de destaque econômico e geopolítico sustentável.
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Jornalista especializado em Economia

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