Diretor da Brasoja alerta para o impacto da defasagem entre preços internos e internacionais

A discrepância entre os preços do diesel no mercado internacional e no brasileiro pode dificultar as importações do combustível e pressionar a oferta no país. Essa análise é de Antônio Sartori, diretor da Brasoja, que ressalta a relação entre o custo internacional do petróleo, a formação dos preços dos derivados e a participação do diesel importado no abastecimento nacional.
Sartori destacou que, no início do ano, o petróleo estava na faixa de US$ 65 por barril. Contudo, em decorrência das tensões provocadas pelo conflito em Ormuz, o valor subiu para US$ 115, recuando posteriormente para cerca de US$ 70 e atualmente estando novamente próximo de US$ 105. Segundo o executivo, aproximadamente 25% do diesel consumido no Brasil é importado.
✨ Com o preço internacional cerca de 30% superior ao praticado no mercado interno, a operação de importação se torna pouco atrativa para os agentes privados.
Sartori explica que essa diferença de preço faz com que ninguém se interesse em importar. Ele aponta que se 25% do consumo de diesel no Brasil for importado, com a defasagem já mencionada, a falta do combustível pode se acentuar. Para resolver essa questão, ele vê duas soluções: uma diminuição nas cotações internacionais do petróleo ou um possível reajuste do diesel no mercado interno. Contudo, uma elevação nos preços internos poderia ter repercussões na inflação.
Outra alternativa apresentada por Sartori é aumentar a porcentagem de biodiesel na mistura do diesel comercializado no Brasil. Ele sugere que esse percentual poderia ser elevado de 15% para 18%. De acordo com o diretor, a cadeia brasileira de soja teria capacidade para suprir essa demanda, sem necessidade de aumentar a produção de esmagamento, afirmando que a capacidade atual é suficiente para suportar o aumento sem dificuldades. Para que essa mudança ocorra, no entanto, uma decisão do governo federal seria necessária.
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Jornalista especializado em Economia

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