A previsão é que o desmatamento possa atingir 1,4 milhão de hectares na Amazônia.

Um estudo divulgado pelo WWF-Brasil na revista científica Science alerta que o possível fim da Moratória da Soja pode acarretar um desmatamento adicional de 1,4 milhão de hectares na Amazônia nos próximos dez anos, caso o acordo seja encerrado.
Esta previsão vem após o STF reconhecer a validade da Moratória, que proíbe a comercialização de grãos cultivados em áreas desmatadas após julho de 2008. Apesar disso, ainda há discussões sobre os impactos econômicos e ambientais que o Brasil enfrentaria com o término do acordo.
✨ O estudo estima que o desmatamento adicional pode gerar cerca de 745 milhões de toneladas de CO₂, equivalente ao total emitido anualmente pelo Canadá.
O especialista em conservação territorial do WWF-Brasil, Tiago Reis, informou que o possível desmatamento poderia custar aproximadamente US$ 8,2 bilhões à economia brasileira até 2032. Esse custo está relacionado à perda de serviços essenciais prestados pela floresta, como regulação da água e chuvas, fundamentais para a agricultura e energia hidrelétrica.
A Moratória da Soja, implantada em 2006, mostrou ser eficaz ao reduzir em cerca de 35% o desmatamento nas áreas com risco de expansão da cultura, preservando 1,8 milhão de hectares de floresta. Ao mesmo tempo, a área de soja plantada na Amazônia mais que triplicou, reforçando a possibilidade de expansão sem necessidade de novos desmatamentos.
O estudo revela que a floresta, além de produtos e atividades econômicas, desempenha um papel crucial na produção e circulação de água que beneficia regiões agrícolas do Brasil. Reis enfatiza que a conservação da Amazônia deve ser vista não apenas como uma obrigação ambiental, mas como um ativo financeiro que traz riqueza e evita custos futuros.
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Jornalista especializado em Meio Ambiente

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