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Saúde
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Cacau amazônico pode se tornar superalimento, aponta estudo

Pesquisa revela moléculas que promovem benefícios à saúde

Gabriel Azevedo03 de abril de 2026 às 06:55
Cacau amazônico pode se tornar superalimento, aponta estudo

Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em colaboração com a Embrapa, assim como universidades federais, detectaram pela primeira vez compostos que podem qualificar o cacau da Amazônia como um potencial superalimento.

O estudo investiga a influência da fermentação nas amêndoas do cacau, focando na qualidade nutricional do chocolate produzido. Durante a pesquisa, foram encontrados na amêndoa os compostos glicina betaína e prolina, que ajudam a planta a lidar com o estresse oxidativo e também atuam como poderosos antioxidantes no organismo humano.

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Elas funcionam como verdadeiros protetores celulares, o que pode transformar o cacau amazônico em um superalimento

Renato de Mello Prado, professor da Unesp.

Estudo encontrou impactos significativos da fermentação na qualidade nutricional, reduzindo açúcares e aumentando aminoácidos.

Patrocinada pela Fapesp, a pesquisa foi realizada na Estação Experimental Frederico Afonso, em Rondônia, onde foram analisados nove clones de cacau sob dois métodos pós-colheita: um seguindo o processo tradicional de fermentação e outro com grãos pré-secos.

Os resultados indicam que a fermentação não apenas diminui mais de 95% dos açúcares e quase 50% dos taninos, mas também reduz compostos fenólicos, enquanto eleva os níveis de aminoácidos e minerais como potássio e magnésio. Por outro lado, o cacau não fermentado mantém quantidades expressivas de fósforo e cálcio, que são essenciais para a saúde óssea e cardiovascular.

Além disso, foramnotadas variações nutricionais significativas entre os clones analisados, especialmente em um que apresentou altos níveis de fenólicos e antocianinas na ausência de fermentação. Isso indica um potencial maior para criar produtos alternativos ao chocolate convencional, como nibs e ingredientes para lanches saudáveis.

A pesquisadora Edilaine Istéfani Franklin Traspadini, também envolvida no estudo, ressalta que a ausência de fermentação impede o desenvolvimento das características de cor e aroma conhecidos do chocolate, sendo um processo que tem consequências nutricionais importantes.

Ela sugere, portanto, a possibilidade de desenvolver misturas que combinem amêndoas fermentadas e não fermentadas, como uma forma de aprimorar o sabor e o valor nutricional do cacau amazônico, seguindo padrões semelhantes aos utilizados na indústria do café.

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