Pesquisas investigam fatores como genética e sexo biológico na resposta aos tratamentos

Uma reportagem publicada na revista Nature destaca que estudos recentes revelam que a maioria dos indivíduos que utilizam medicamentos à base de GLP-1, como semaglutida e tirzepatida, obtêm uma perda média de 25% do peso corporal. No entanto, há uma faixa de 10% a 15% dos usuários que não apresenta perda de peso significativa ou não perde nada, o que motivou a investigação sobre essa variabilidade.
Em centros de pesquisa como a Universidade de Toronto, o endocrinologista Daniel Drucker, que participou do desenvolvimento dos medicamentos GLP-1, enfatiza que existe uma heterogeneidade marcante na resposta a esses fármacos, e os mecanismos envolvidos ainda permanecem incompreendidos. A Endocrine Society, entidade médica de pesquisa em Washington, incluiu a questão como uma prioridade na área.
✨ Estudos indicam que até 15% dos usuários de GLP-1 não conseguem perder peso, levando a investigações sobre as causas dessa variação.
Pesquisadores estão examinando fatores como sexo biológico, genética e comportamento. A medicina de precisão para obesidade, segundo um comunicado científico recentemente divulgado, ainda está em estágio inicial de desenvolvimento. Um dos fatores analisados é a relação entre o sexo biológico e a eficácia dos medicamentos GLP-1: evidências mostram que mulheres tendem a perder mais peso do que homens ao fazerem uso desses medicamentos.
Um estudo realizado em 2024 revelou que mulheres na pós-menopausa que tomaram semaglutida, acompanhadas de terapia de reposição hormonal, apresentaram maior perda de peso do que aquelas que não receberam o tratamento. Essa observação é corroborada por um trabalho publicado em fevereiro que apresenta resultados semelhantes com o uso de tirzepatida.
Para Drucker, esses resultados sugerem que o estrogênio, disponibilizado através da terapia de reposição, pode potencializar os efeitos dos medicamentos para obesidade. Embora o mecanismo molecular ainda não esteja claro, o pesquisador se mostra otimista quanto ao avanço da ciência nessa direção, uma vez que estudos em animais já demonstraram que o estrogênio diminui a ingestão de alimentos.
Além do sexo biológico, a genética emerge como outra área de estudo. Ruth Loos, epidemiologista da Universidade de Copenhagen, ressalta que, embora a ciência já tenha avançado bastante em entender a genética da obesidade, carece de dados consistentes sobre como os genes influenciam a resposta aos medicamentos de emagrecimento. Resolver essas questões poderá facilitar o desenvolvimento de novos fármacos para aquelas pessoas que não se beneficiaram dos existentes.
Receba as principais notícias e análises diretamente no seu email. Grátis e sem spam.
Gostou desta notícia? Compartilhe!
Jornalista especializado em Saúde

Governo reduz imposto sobre insumos enquanto medicamentos aguardam aprovação da Anvisa.

Agência alerta sobre riscos à saúde pública

Pesquisa acompanhou 730 adultos e identificou 22 novos casos de demência em quase cinco anos.

Mudanças visam integrar dados genéticos, inflamatórios e neuroimagem para aprimorar diagnósticos na saúde mental.