Especialistas apontam que complexidade burocrática eleva custos para pequenos produtores.

Luis Eduardo Pacifici Rangel e Ronaldo Carneiro Teixeira destacam em um artigo que as exigências ambientais e a morosidade na análise de processos estão elevando os custos da produção rural no Brasil, dificultando assim os investimentos em práticas sustentáveis.
Os autores apontam que os produtores enfrentam diversas despesas, incluindo assessorias, cadastros e autorizações, além de prejuízos decorrentes do atraso em projetos. Essa situação prejudica especialmente pequenos e médios produtores, que possuem menos recursos para lidar com a complexidade dos procedimentos.
✨ No Cadastro Ambiental Rural (CAR), a validação de cadastros cresceu de 3,3% para 9% entre novembro de 2024 e novembro de 2025, segundo dados do CPI/PUC-Rio.
Rangel e Teixeira ressaltam que a ausência de validação dos cadastros não indica necessariamente irregularidade ambiental. O artigo também menciona a dificuldade no registro de agroquímicos, com dados do Ibama e do Ministério da Agricultura mostrando 2.265 registros pendentes no início de 2026, correspondendo a 53,9% da base analisada.
No crédito rural, as exigências documentais também podem dificultar o financiamento, considerando inconsistências cadastrais como infrações. Para os especialistas, a solução requer agilidade nas decisões administrativas, integração de sistemas e ampliação dos incentivos à conservação.
Os autores concluem que é fundamental manter o rigor das avaliações ambientais sem transformar a burocracia em um custo adicional para os produtores. "Cabe ao Estado orientar esse esforço, oferecer segurança jurídica e criar incentivos para que produzir e conservar sejam decisões economicamente viáveis," afirmam. Eles enfatizam que a regulamentação deve concretizar as diretrizes do Congresso Nacional e não se transformar em um emaranhado de exigências que inviabilizem as práticas estabelecidas pela lei.
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