Spread elevado entre mercado físico e futuro reflete otimismo para demanda.

O mercado brasileiro do boi gordo registrou uma semana marcada por um spread elevado entre os preços praticados no mercado físico e no futuro. Segundo Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado, este cenário apresenta uma expectativa de alta na demanda para o último trimestre do ano.
"A diferença entre os preços do mercado spot [setembro] e futuro [outubro] superou os R$ 20, mas a tendência é que haja um ajuste de convergência nas próximas semanas", destaca Iglesias.
✨ No mercado físico, os negócios estão ocorrendo a patamares superiores à média de referência, embora frigoríficos de maior porte mantenham escalas de abate confortáveis.
Com relação aos frigoríficos de menor porte, eles continuam enfrentando dificuldades em suas composições de escalas de abate e, por isso, precisam negociar de maneira mais assertiva. Há relatos de negócios pontuais a R$ 360 a arroba no interior de São Paulo, apesar de a média no estado estar entre R$ 350 e R$ 355.
Além disso, a expectativa de retorno da cota de exportação para a China em outubro, o aumento nos embarques para os Estados Unidos devido a uma oportunidade de compra de 300 mil toneladas com tarifas reduzidas e a alta demanda interna, impulsionada pelos recursos das eleições e as festividades de fim de ano, tendem a promover um aumento nos preços da arroba do boi.
Os valores praticados para a arroba do boi, na modalidade a prazo, estavam assim no dia 17 de setembro: São Paulo (Capital): R$ 355, alta de 4,41%; Goiás (Goiânia): R$ 340, aumento de 3,03%; Minas Gerais (Uberaba): R$ 335, inalterado; Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 345, alta de 2,99%; Mato Grosso (Cuiabá): R$ 330, estável; e Rondônia (Vilhena): R$ 335, alta de 0,60%.
O mercado atacadista também registrou preços elevados durante a semana, especialmente com a entrada dos salários, que impulsionou a reposição no atacado e varejo. Contudo, há uma expectativa de um consumo menos intenso na segunda quinzena do mês.
A competitividade elevada dos cortes suínos e da carne de frango pode limitar novos avanços na carne bovina, especialmente em um cenário de menor poder aquisitivo das famílias.
Sobre os preços no mercado atacadista, o quarto do traseiro bovino registrou R$ 27,50 por quilo, alta de 3,77%, enquanto o quarto do dianteiro do boi ficou em R$ 19,50 por quilo, avanço de 2,63%.
Quanto às exportações de carne bovina, o Brasil rendeu US$ 495,054 milhões em setembro (8 dias úteis), com uma média diária de US$ 61,881 milhões. A quantidade total exportada pelo país foi de 79,711 mil toneladas, com preço médio por tonelada de US$ 6.210,50.
Em comparação ao mesmo período em 2025, houve uma queda de 23% no valor médio diário das exportações, além de uma baixa de 30,3% na quantidade média diária exportada.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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