Cerca de 35 mil pintinhos machos são mortos diariamente em práticas da indústria de ovos.

Uma investigação da organização Mercy For Animals (MFA) trouxe à luz a trituração de pintinhos machos recém-nascidos em um incubatório de grande porte na região Sul do Brasil. A prática, que tem como resultado a morte de aproximadamente 35 mil pintinhos em um único dia, levanta sérias questões sobre o bem-estar animal.
Os pintinhos, com menos de 24 horas de vida, eram colocados em máquinas com lâminas de alta velocidade, pois os machos não produzem ovos e não possuem características genéticas consideradas adequadas para a produção de carne. Após o nascimento, eles eram rapidamente separados das fêmeas e destinados ao descarte.
Luiza Schneider, vice-presidente de Investigações da MFA, destacou que a intenção da organização não era investigar uma denúncia específica, mas sim documentar uma prática comum na indústria. Ela enfatizou que os pintinhos apresentam total capacidade de senciência, o que significa que podem sentir medo e dor física.
✨ Os maceradores mecânicos utilizados nem sempre causam morte imediata, o que pode aumentar o sofrimento dos animais.
Além da trituração de pintinhos machos, a investigação também registrou o descarte de fêmeas, que ocorrem em menor número, geralmente se apresentando com anomalias ou quando excediam a demanda do mercado.
Uma das soluções propostas pela MFA é a tecnologia de sexagem in ovo, que permite identificar o sexo do embrião durante a incubação. Essa técnica possibilita que os ovos com embriões machos sejam retirados antes da eclosão, evitando que os pintinhos nasçam apenas para serem descartados.
Em comparação, países da União Europeia já implementaram legislações para proibir a trituração e utilizam a sexagem in ovo, demonstrando que existem alternativas viáveis que podem ser aplicadas no Brasil.
Apesar da introdução da tecnologia no Brasil, a adoção ainda é limitada, principalmente devido ao custo financeiro que ela envolve. Enquanto o método convencional tem um custo estimado em R$ 7 por ave, a sexagem in ovo pode aumentar os custos entre R$ 5 e R$ 10 por ave.
No entanto, conforme o estudo da Innovate Animal Ag, esse custo adicional pode ser diluído ao longo da produção, fazendo com que o impacto no preço final para o consumidor seja mínimo.
Evidências do interesse da indústria em mudanças sustentáveis começam a surgir, com empresas como Planalto Ovos e Grupo Mantiqueira se comprometendo a suspender a trituração sob a condição de viabilidade econômica.
Atualmente, o assunto chegou ao Congresso Nacional, através dos projetos de lei 783/2024 e 3034/2026, que visam regular a prática do descarte de pintinhos machos no Brasil.
Pesquisa realizada pela Innovate Animal Ag mostra que a maioria dos consumidores brasileiros se sente desconfortável com a prática de abate de pintinhos machos, com 73% apoiando a busca por alternativas, refletindo uma crescente conscientização sobre bem-estar animal.
Luiza Schneider e Vanessa Garbini afirmaram que uma maior transparência e conscientização pública sobre as práticas da indústria estão diretamente relacionadas à mobilização e à busca por legislação que proíba maus-tratos contra os animais.
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Jornalista especializado em Justiça

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