Análise do IBGE revela jornada superior e rendimentos quase iguais aos do setor tradicional

Um recente levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indica que os trabalhadores em plataformas digitais tiveram uma jornada média de 44,7 horas por semana em 2025, superando em 5,4 horas a carga horária dos demais profissionais do setor privado, que trabalha em média 39,3 horas. Esta pesquisa, que faz parte da análise contínua sobre trabalho em plataformas digitais, foi divulgada nesta sexta-feira.
Embora tenha havido uma ligeira diminuição de 1,7 horas na carga horária desde 2022, os trabalhadores que operam por meio de aplicativos de transporte, entrega e serviços gerais ainda mantêm jornadas significativamente mais longas em comparação ao restante do mercado. O rendimento médio desses profissionais se manteve próximo de R$ 3.147, quase idêntico ao dos trabalhadores do mercado formal, com uma diferença mínima de R$ 1.
✨ Apesar da suposta flexibilidade, a jornada de trabalho dos profissionais de aplicativos é maior.
"Mesmo que os trabalhadores de aplicativos tivessem maior flexibilidade para trabalhar, para escolher onde e quando trabalhar, ainda assim a jornada de trabalho era maior
O estudo do IBGE também analisou os rendimentos dos motoristas e motociclistas que trabalham via aplicativos. Em média, motoristas de plataformas ganharam R$ 2.873 mensais, valor que supera em 2,4% o rendimento dos motoristas convencionais, que receberam R$ 2.805. No entanto, estes motoristas platificados trabalham 5,5 horas a mais por semana, resultando em um rendimento-hora inferior de R$ 14,4, o que é 11,1% menor do que os R$ 16,0/hora dos motoristas tradicionais.
No que diz respeito aos motociclistas, os condutores por aplicativos receberam R$ 2.221 mensais, que é 23,3% acima dos R$ 1.802 dos seus colegas em empregos tradicionais, mas por hora trabalhada, o ganho de R$ 11,4 é apenas 12,9% maior do que os R$ 10,1 dos motociclistas não plataformizados.
A análise mostra que a estabilidade dos rendimentos dos trabalhadores de plataformas é um reflexo da competição acirrada, onde um aumento na oferta de profissionais tem pressionado os salários para baixo.
Importante ressaltar que, segundo o IBGE, a proporção de motoristas e motociclistas entre os trabalhadores de plataformas representa cerca de 75% do total, e a falta de ganhos reais nesse período tem provocado uma estagnação nos rendimentos de forma geral. A evidência desta estagnação revela a pressão do mercado e a crescente concorrência entre os trabalhadores que buscam por corridas e entregas nas plataformas digitais.
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Jornalista especializado em Trabalho

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