Proibição gera incertezas para mercado de carne de frango e bovina

A proibição das importações de produtos de origem animal do Brasil pela União Europeia, que entra em vigor nesta quinta-feira (3), compromete a exportação de mais de US$ 392,2 milhões em carnes do Paraná.
Esse montante é referente às vendas de carne de frango e bovina realizadas pelo Estado para a Europa em 2025. De acordo com o Agrostat, do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), em 2025, o Paraná havia exportado anteriormente US$ 382 milhões em carne de frango, o que representa 118,7 mil toneladas. Já as vendas de carne bovina totalizaram US$ 10,2 milhões com embarques de 1,4 mil toneladas.
No primeiro semestre deste ano, o Paraná já havia comercializado US$ 224 milhões em carne de frango para a Europa, equivalentes a 78,7 mil toneladas, além de US$ 4,6 milhões em carne bovina, ou 643 toneladas. A União Europeia, atualmente, representa aproximadamente 5% das exportações de carnes do Estado.
✨ Uma perda no acesso ao mercado europeu pode prejudicar a posição do Brasil em outros mercados internacionais.
Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema FAEP (Federação da Agricultura do Estado do Paraná), destacou que a manutenção no mercado europeu é crucial não apenas pelos volumes vendidos, mas também porque a aprovação da UE serve de referência para outras nações em suas exigências sanitárias.
Meneguette afirma que a presença dos produtos brasileiros na Europa é vital para o agronegócio paranaense, qualificando essa região como uma importante vitrine para seus produtos.
Entre os setores afetados, a avicultura se revela como o mais vulnerável. O Paraná lidera a produção e exportação de carne de frango no Brasil, tendo acesso a mais de 150 países.
A proibição da União Europeia inclui carnes bovina, de frango, mel, produtos equinos, tripas e itens de aquicultura. A Federação já alertou o governo federal sobre os riscos associados a essa medida e, em 9 de junho, solicitou providências ao MAPA para evitar a suspensão, reafirmando a robustez do sistema de defesa sanitária do Brasil.
O Paraná é reconhecido desde 2021 pela OMSA (Organização Mundial de Saúde Animal) como área livre de febre aftosa sem vacinação, e esse status foi estendido a todo o Brasil em 2025. Além disso, a China também já reconheceu o Brasil como livre da doença sem vacinação.
Apesar das complicações causadas pelas restrições, há uma esperança de retomar as exportações de carne de frango para a União Europeia em breve. Desde 24 de agosto, auditores da Europa têm estado no Brasil realizando avaliações dos sistemas de produção, processamento e fiscalização de carnes, incluindo as exigências referente ao uso de antimicrobianos.
A expectativa do setor é que essas auditorias confirmem a conformidade dos sistemas brasileiros com as exigências da UE, permitindo a revogação da proibição da carne de frango. "Ainda há muitos desafios, mas nossa expectativa é de que superemos rapidamente as exigências sanitárias e recuperemos o acesso ao mercado europeu", finaliza Meneguette.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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