Aviões agrícolas lideram estatísticas de acidentes aeroviários

Aumento alarmante de casos de incidentes em decolagens no ano passado

Aviões agrícolas lideram estatísticas de acidentes aeroviários

Ao longo da última década, foram registrados 110 acidentes envolvendo aeronaves agrícolas no Brasil, sendo que mais de 60% deles resultaram de colisões em voo com obstáculos e perdas de controle. De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a aviação agrícola lidera as estatísticas de acidentes aéreos no país, com uma taxa de 131,46 acidentes por milhão de decolagens em 2020.

Raul Marinho, piloto e gerente técnico da Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag), destaca a importância de manter as manutenções em dia, além de contar com pilotos qualificados e operar em locais com boa infraestrutura para reduzir os riscos de acidentes. Em relação aos diferentes setores da aviação, as aeronaves de instrução ocupam o segundo lugar em acidentes, seguidas pelos aviões particulares. Os taxis-aéreos, como o utilizado pela cantora Marília Mendonça, têm uma taxa de acidentes de 19,95 por milhão de decolagens, sendo considerados relativamente seguros em comparação com as aeronaves de grande porte da aviação comercial, que registram apenas 1,27 acidente por milhão de decolagens.

Apesar de haver mais aeronaves pequenas do que grandes no Brasil, especialistas explicam que o número de ocorrências não significa necessariamente que as aeronaves menores sejam mais perigosas. A diferença está nos padrões de operação e nos níveis de exigência de cada categoria de aviação, além dos possíveis erros humanos. A aviação de grande porte costuma ter procedimentos mais rigorosos, certificações mais detalhadas, melhor estrutura nos aeroportos e orientação mais precisa durante as decolagens e pousos.